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‘Bolsonaro vai entrar por uma porta, eu vou sair pela outra’
Deputado estadual quer mais diálogo com agronegócio
Quinta-Feira, 24 de Fevereiro de 2022

O governo da Bahia precisa entender melhor a força do agronegócio e permitir um maior avanço na área. A afirmação do deputado estadual Vitor Bonfim (PL), para quem “é fundamental que o Estado dialogue mais com o setor”. Ex-secretário da Agricultura e em seu segundo mandato, Bonfim também defende uma maior interiorização dos serviços de saúde e da capacitação profissional, especialmente nas cidades menores. Nesta entrevista, também transmitida pela TV Alba (canal 12.2 e 16 na Net), o parlamentar fala ainda de sucessão estadual e garante: “Não tenho condição nenhuma de continuar no partido”.O senhor é natural de Ibotirama mas iniciou sua vida pública em Guanambi, onde foi vereador por duas vezes. Quais são as demandas da região que mais desafiam sua atuação na Assembleia?


A gente ainda precisa melhorar a prestação de serviço na área da saúde. Temos muitos hospitais municipais em funcionamento mas com pouca efetividade. Você sofre um acidente, quebra o braço, uma perna, cai de moto, do cavalo, e os municípios de menor porte não têm condição de fazer uma cirurgia, não têm médicos especialistas, o que termina sobrecarregando o Hospital Regional de Guanambi, que é o grande hospital da região. É preciso que a gente faça um trabalho pra que os municípios possam ter hospitais funcionando de suporte, ou seja, de forma satélite, dividindo e compartilhando essas especialidades médicas, pra diminuir a demanda tão grande que hoje existe sobre o hospital regional. Nesse momento de pandemia tenho percebido no Brasil como um todo um aumento muito grande de desempregados. Os jovens estão com dificuldade pra ingressar no mercado de trabalho. É preciso que a gente invista também na capacitação, na qualificação da mão de obra, pra que esses jovens que estão concluindo seus cursos universitários e até o segundo grau possam entrar no mercado de trabalho.Como tem sido sua articulação com o governo pra melhor atender essas demandas?


No ano de 2020 direcionei cem por cento das minhas emendas parlamentares para a área da saúde, em especial na época em que a Covid estava no auge. Tomei essa iniciativa, assim como outros deputados também o fizeram, para reforçar o combate à Covid. E também tenho conseguido junto ao Governo do Estado investimentos pra ampliar o Hospital Regional de Guanambi. Temos já em funcionamento uma unidade de tratamento contra o câncer em Caetité, uma Unacon [Unidade de Alta Complexidade em Oncologia]. O hospital de Brumado também foi ampliado, o hospital de Bom Jesus da Lapa recebeu leitos de UTI. Policlínicas foram construídas em Guanambi, Brumado e vamos ter uma também em Santa Maria da Vitória. Isso vai dando capilaridade à saúde na região, permitindo que haja uma descompressão do serviço.E em relação à capacitação de mão de obra?


Junto à Secretaria de Educação do Estado tenho buscado levar cursos técnicos, sobretudo. Em cidades pequenas e de médio porte é muito difícil você conseguir ingressar no mercado de trabalho, porque o grande empregador de uma cidade abaixo de 20 mil habitantes na Bahia é a Prefeitura. E com o comércio local fragilizado nesse período de pandemia, é preciso que a gente leve cursos profissionalizantes, sobretudo na área de tecnologia. Na grande maioria das pequenas cidades, quando um aparelho de telefone celular quebra, por exemplo, as pessoas têm que se deslocar para um centro maior pra conseguir o conserto. É preciso que a gente tenha a percepção de que há um campo novo surgindo e demandando por esses serviços e não há pessoas ainda preparadas e capacitadas pra fazer esse tipo de serviço. Quando da sua primeira eleição como deputado estadual, em 2014, o senhor disse que seu foco na Assembleia Legislativa seria a educação. Quais foram suas conquistas nessa área de lá pra cá?


A gente tem conseguido colocar em prática a escola de tempo integral em alguns municípios que represento, levando essa mensagem para os gestores municipais. Alguns municípios já implantaram o sistema de tempo integral e, pra minha alegria, o Governo do Estado, a partir de 2022, impulsionou muito o tempo integral na rede do estado, com a requalificação de diversos colégios, construção de outras unidades, colégios muito bem estruturados que não deixam a dever a nenhum grande colégio de centro urbano, de capital, com todos os equipamentos, quadra coberta, piscina, auditório, laboratório, salas amplas pra ofertar também aos professores um ambiente melhor. A gente avançou muito nessa questão. Na UNEB, que é a nossa Universidade do Estado da Bahia, com a oferta de cursos para o interior do estado também. Acredito que conseguimos corresponder à expectativa que tinha lá trás quando iniciei meu mandato como deputado estadual em 2015. O senhor teve uma passagem pelo Governo do Estado como Secretário da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura. O que ainda é preciso fazer para fortalecer as políticas públicas do setor?


O setor agrícola na Bahia é extremamente importante, representa quase 25% do PIB baiano. Ou seja, 25% de tudo que é gerado de riqueza do nosso estado vem da agricultura, do agronegócio, da pecuária. É importante que o governo entenda essa força que o agronegócio tem e permita que o nosso estado possa avançar. Temos a capacidade de produzir desde o cacau na região Sul ao café no Recôncavo e o algodão, o milho, e a soja no Oeste. A produção da pecuária também é bastante diversificada. É fundamental que o Estado entenda essa força e dialogue mais diretamente com o setor pra avançar ainda mais, gerando mais emprego, mais renda, aumentando nossas exportações. E num segundo momento, fazendo a transformação, a agregação de valor. A gente vende e exporta muita amêndoa de cacau, por exemplo, mas o chocolate produzido na Bahia ainda é um número muito baixo. É preciso que a gente agregue valor, transforme a amêndoa no chocolate, o milho em óleo, em biocombustível, pra que você tenha uma indústria mais verticalizada, a cadeia produtiva toda completa.Quais outras causas o senhor defende na Assembleia Legislativa?


Consegui no final de 2021 a aprovação de uma PEC que proibiu o pagamento aos deputados de um salário extra quando o governador ou a própria Assembleia faz uma convocação extraordinária. Isso dava quase quatro milhões de reais de despesa. Graças à aprovação da minha PEC, se o governo precisar, como foi agora com as chuvas que tivemos em dezembro no Sul da Bahia e medidas emergenciais precisaram ser tomadas, a Assembleia funcionou e o governo não precisou gastar um único real. O dinheiro pôde ser direcionado para onde estava tendo necessidade que eram as regiões atingidas pela chuva. Esse projeto é, na minha opinião, uma demonstração de que quem está na Assembleia tem que ter a percepção de que é importante a gente também combater os privilégios que estão postos. Sobre política, deputado, o PL é um partido que tem se mostrado dividido na Bahia. Uma ala se mantém fiel ao governador Rui Costa, outra prefere se aproximar do ex-prefeito de Salvador ACM Neto. A sigla está fechada com quem na sucessão ao Governo do Estado?


Ainda não há uma definição pelo partido sobre qual rumo vai tomar. Se vai continuar no agrupamento do governador Rui Costa, do senador Jaques Wagner, do senador Otto Alencar e do vice-governador João Leão, se vai acompanhar o ex-prefeito de Salvador ACM Neto ou se vai caminhar com o ministro e deputado federal João Roma, que tem também se colocado como pré-candidato. Eu, pessoalmente, já me defini. Não tenho condição nenhuma de continuar no partido a partir do momento em que o presidente Jair Bolsonaro se filiou ao PL. Ele vai entrar por uma porta, eu vou sair pela outra.O senhor foi eleito como deputado que integra a base de apoio do governador Rui Costa e vai se manter como apoiador mesmo com a possível troca de Jaques Wagner por Otto Alencar na cabeça de chapa e de Otto Alencar por Rui Costa na vaga ao Senado, conforme se cogita?


Essa primeira quinzena de fevereiro foi de muita notícia no campo da política. Como você colocou, tem várias alternativas. Isso mostra a qualidade de nomes que o campo político que está governando o estado nos últimos 16 anos tem. O problema hoje do governo é o excesso de bons nomes pra preencher a chapa majoritária. Temos três vagas – uma para governador, uma para vice e uma para senador – e quatro bons nomes: o do próprio governador Rui Costa, o do vice-governador João Leão, o do senador Otto Alencar e do senador Jaques Wagner. Tenho certeza que com a habilidade que eles têm, com o entendimento e a harmonia que houve dentro desse grupo nos últimos quase 16 anos, eles vão ter habilidade pra poder construir a chapa pra eleição de 2022.Como o senhor avalia a efetividade de uma chapa não mais encabeçada pelo PT?

Volto a repetir: o governador tem uma gestão extremamente bem avaliada, é um nome forte e competitivo, vai ajudar na campanha estando na chapa ou simplesmente apoiando. A decisão que vierem a tomar não vai impactar no resultado da eleição. Esse grupo permanecendo unido tem tudo pra ganhar. O senador Jaques Wagner tem o recall dos seus oito anos como governador, da transformação das políticas públicas que fez ao longo do seu governo. O senador Otto Alencar tem uma atuação destacada, ganhou a mídia nacional nos últimos tempos pela sua atuação na CPI da Covid. O vice-governador João Leão com seu trabalho destacado no Executivo desde a época em que estava na Secretaria de Infraestrutura e implantou o programa de melhorias nas rodovias baianas. Não tenho dúvida de que com esses quatro nomes permanecendo unidos, qualquer deles que seja escalado pra jogar em qualquer posição vai desempenhar um papel espetacular.O senhor é um político que já passou pelo PSDB, PDT e PR. Está no momento no PL de onde também deve desembarcar. Para qual partido deve ir agora?


Vou aguardar o início da janela partidária no mês de março, com o novo regramento que teremos para a eleição de 2022, que é o fim da coligação pra eleição proporcional e a possibilidade da existência das federações partidárias. Tomando como base essas mudanças todas é que eu vou me decidir, escolher um partido pra poder disputar a eleição para deputado estadual novamente. Mas quais partidos considera como opção?


Como eu disse, a partir da janela de março é que vou começar a fazer essas discussões. Ainda não iniciei nenhum tipo de conversa, nenhum tipo de diálogo com nenhum outro partido. Primeiro, porque não tinha ainda a possibilidade de fazer a mudança partidária e, segundo, porque estava confortável no meu partido até essa surpresa da entrada do Presidente da República no PL.

 

FONTE: atarde.uol.com.br  
 
 

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