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El Niño aumenta preocupação com doenças respiratórias; fumaça e infecções podem confundir sintomas
Ministério da Saúde prevê período crítico até março de 2027; especialistas alertam para os riscos à saúde de crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas
Quarta-Feira, 04 de Novembro de 2026

A previsão de seca, calor e queimadas associada ao El Niño acende um alerta para a saúde respiratória nos próximos meses. Tosse, falta de ar e mal-estar podem estar relacionados tanto à exposição à fumaça, à poeira e ao ar seco quanto a infecções causadas por vírus e bactérias. A semelhança entre os sintomas exige atenção, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.


egundo o Ministério da Saúde, o período mais crítico dos impactos do fenômeno estava previsto para iniciar em outubro de 2026 e se estender até março de 2027. Em agosto deste ano, a pasta apresentou um plano de preparação e resposta do Sistema Único de Saúde (SUS), com projeções de efeitos diferentes conforme a região do país.


Entre os cenários previstos estão seca, estiagem e queimadas no Norte e Centro-Oeste, além do agravamento da seca e do calor no Nordeste. A exposição à fumaça, à poeira e ao ar seco pode irritar as vias respiratórias e agravar doenças preexistentes. Ao mesmo tempo, vírus e bactérias também podem provocar quadros respiratórios semelhantes.


“Uma pessoa exposta à fumaça pode apresentar irritação das vias aéreas e, ao mesmo tempo, ter uma infecção. Por isso, o relato de que os sintomas começaram em um dia seco ou após contato com poluentes é importante, mas não encerra a investigação. É preciso considerar a evolução do quadro, o histórico do paciente e os achados da avaliação clínica”, explica Alessandra Zacarias, biomédica e gerente regional de Produto para Diagnóstico Sindrômico da QIAGEN na América Latina.


Conforme o guia do Ministério da Saúde sobre queimadas e incêndios florestais, as partículas finas presentes na fumaça podem alcançar regiões profundas dos pulmões e agravar doenças respiratórias. O risco merece atenção especial entre pessoas com asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), que podem apresentar piora dos sintomas durante períodos de exposição.


Sintomas semelhantes podem exigir tratamentos diferentes


Identificar o que está provocando ou agravando os sintomas é importante para orientar o tratamento e o acompanhamento do paciente. Também ajuda a definir medidas para evitar a transmissão de uma eventual infecção. “Antibióticos não tratam a irritação causada pela fumaça nem as infecções virais. A investigação ajuda a avaliar quando há indicação desses medicamentos e quando outras medidas são necessárias. Também é importante reconhecer que uma piora respiratória pode ter mais de um fator envolvido”, afirma Alessandra.


Quando existe suspeita de infecção, os painéis respiratórios sindrômicos de PCR multiplex podem ser utilizados por indicação médica para auxiliar na investigação. A tecnologia pesquisa simultaneamente o material genético de diferentes vírus e bactérias em uma única amostra. Dependendo da composição do painel, é possível identificar agentes como influenza, vírus sincicial respiratório e SARS-CoV-2. Algumas plataformas disponibilizam resultados em aproximadamente uma hora.


“Pesquisar diferentes agentes em um único exame pode reduzir o tempo para obter informações relevantes à decisão médica, inclusive quando existe coinfecção. Esse apoio pode ser especialmente útil em pacientes vulneráveis, nos quais identificar os microrganismos envolvidos pode influenciar o acompanhamento e a conduta”, explica a especialista.


Os resultados, no entanto, precisam ser interpretados em conjunto com os dados clínicos. Os painéis pesquisam um conjunto definido de agentes infecciosos e não identificam diretamente os efeitos da poluição. Por isso, um resultado negativo não exclui todas as infecções nem confirma que os sintomas tenham origem exclusivamente ambiental.


“Os testes respondem a uma parte da investigação. A presença de um agente deve ser relacionada ao quadro do paciente, assim como a ausência de detecção precisa ser analisada considerando os limites do exame. Essa integração é o que permite usar a informação laboratorial para orientar o cuidado”, conclui Alessandra.


Como se proteger durante períodos de fumaça?


Durante episódios de queimadas e piora da qualidade do ar, reduzir a exposição aos poluentes é uma medida importante de proteção. Crianças, idosos, pessoas imunossuprimidas e pacientes com doenças respiratórias crônicas merecem atenção especial. Dificuldade para respirar ou agravamento dos sintomas exige avaliação médica. A investigação adequada ajuda a diferenciar possíveis causas ambientais e infecciosas e a definir os cuidados necessários para cada paciente.

 

FONTE: correio24horas.com.br  
 
 

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