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Cidades do Nordeste cancelam Carnaval e já discutem limites para pagamento de artistas nos festejos juninos
Segunda-Feira, 09 de Fevereiro de 2026

É época de Carnaval e muitas cidades da região Nordeste do Brasil deixaram de realizar os festejos devido aos altos cachês cobrados por artistas. Além disso, as gestões municipais já estão de olho nas despesas com os festejos juninos. Um levantamento feito pelo portal UOL gerou preocupação entre foliões nordestinos em função do cancelamento das festas.

No Ceará, três municípios já anunciaram o cancelamento das festas: Tauá, Caucaia e Jaguaretama. Para comunicar a decisão, o prefeito de Jaguaretama, Marcos Cunha (PSB), se manifestou por meio de vídeo nas redes sociais.
Já no Rio Grande do Norte, mais especificamente na cidade de Paraú, e em Santa Luzia, na Paraíba (PB), a justificativa para o cancelamento foi o impacto da seca na região.


Em outra cidade do Nordeste, Massapê (CE), o prefeito Ozires Pontes (PSDB) anunciou, no dia 1º de fevereiro, que o município terá apenas um dia de festejo em vez dos quatro tradicionais.

“As bandas estão cada uma mais cara do que a outra; banda que nem é dessas ‘tops das galáxias’ querendo R$ 500 mil. Absurdo”, disse em suas redes sociais.“Está virando um negócio absurdo o que essas bandas estão pedindo. A gente vive num estado pobre, são 184 municípios. As cidades do interior, de pequeno e médio porte, não têm dinheiro, e não tem sentido quebrar uma cidade para fazer uma festa”, afirmou.

Em manifestação, o presidente da Associação dos Municípios do Ceará (Aprece), Joacy Alves Junior, afirmou que há bandas cujo cachê subiu mais de 100% de um ano para o outro.


“Tem banda que era R$ 100 mil em 2025, mas agora quer cobrar R$ 200 mil, R$ 300 mil. Tem banda cobrando até R$ 800 mil. Não há como pagar”, relatou.

Um dos fatores apontados para justificar o aumento dos valores é a concentração das contratações com recursos públicos.

“Hoje não há mais festas em clubes, como havia até uns 15 anos atrás. Agora é o Poder Público quem faz. Se você tem 300 cidades procurando artistas, a lei da oferta e da procura inflaciona os preços. E eles cobram o que querem”, disse Junior, lembrando que os artistas são contratados em modalidade sem licitação.


Outro ponto que pesa contra a realização das festas, segundo o presidente, é que 2026 deve ser um ano de contenção de gastos para os prefeitos.

“A questão da isenção do Imposto de Renda causou uma queda de arrecadação significativa na fonte”, completou.

E na Bahia?

Na Bahia, prefeitos de diversas cidades se reuniram na última quarta-feira (4) com o Ministério Público da Bahia (MP-BA) para discutir as contratações de artistas para o São João deste ano. O encontro debateu critérios e limites de gastos e resultou em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).


O prefeito de Andaraí, na Chapada Diamantina, Wilson Cardoso (PSB), destacou que a reunião busca dar mais transparência aos gastos e responder aos questionamentos da população sobre os valores pagos aos artistas.

“É uma resposta ao clamor da opinião pública, dando lisura ao gasto. A inflação subiu 4,6%, o piso do professor subiu 5,4%, então achamos razoável que se avaliem esses aumentos de cachês de forma desproporcional”, afirmou.

O gestor também apontou que o problema tem sido sentido em outros estados do Nordeste. “A ideia é evitar que [o aumento dos cachês] saia daqui e vá inflacionar Pernambuco, Alagoas ou outros estados. É uma ação integrada da região”, explicou.


Por fim, análises e reuniões semelhantes também vêm sendo realizadas pelo Tribunal de Contas do Estado da Paraíba.


 

 

FONTE: www.bnews.com.br  
 
 

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